26 junho 2015

Quincas Borba

“Ao vencedor, as Batatas!” 

Para entender a frase acima, célebre característica desta obra de Machado de Assis, é preciso ler o livro. Não vou dar colher de chá neste aspecto. Esta releitura foi parte do plano para deixar resenhadas as leituras mais importantes, e não esquecê-las mais.


Ao sempre delicioso estilo de Machado de Assis, que faz imagens divertidas para traduzir os sentimentos e ideias de seus personagens, o livro relata a história de Rubião, professor simples em Barbacena, que cuida do amigo Quincas Borba (mesmo personagem de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”) em seus dias finais, e herda toda sua fortuna. Ao mudar-se para o Rio de Janeiro, sua simplicidade o leva a ser explorado pelos novos “amigos”, levando-lhe pouco a pouco as esperanças de um futuro tranquilo e por fim sua sanidade mental. 

Durante todo o livro, o modo de ser simples de Rubião, e o cuidado temeroso que tem com o simpático cão (que também se chama Quincas Borba e cuja guarda era uma das condições do testamento do Homônimo) nos faz simpatizar com ele – desejar sua felicidade, mesmo se reprovarmos seus adultérios e pequenas ambições manifestas.


No entanto, é com a loucura do personagem principal que Machado de Assis, ainda irônico e fazendo comédias, joga por terra esta esperança. Não me entendam mal, o livro é muito bom, mas deixa na gente aquela sensação triste, do final que não desejávamos. 

Ao final, pode-se dizer (sem estragar a leitura de ninguém) que me senti sem vencedor, nem batatas. E para me consolar, apenas a verdade contundente na pena de Machado de Assis:
“Eia! Chora os dois recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri-te! É a mesma coisa. O Cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens.”