22 julho 2015

Mulheres - Charles Bukowski

O texto a seguir foi escrito pelo nosso convidado João Victor Vitoriano, estudante de jornalismo e autor de seis livros lançados pela Editora Clube de Autores

Henry Charles Bukowski Jr 
São Paulo: L&PM Editores, 2011 (ed. original 1978) 
317 páginas 

Bukowski ou mais conhecido como velho Buk, se tornou escritor após 50 longos anos. Nascido na Alemanha, se instalou nos Estados Unidos e fez de Califórnia e Los Angeles o palco de muitas de suas obras, que trazem teor autobiográfico e realistas. O genial e sincero Bukowski é um autentico alcoólatra e mulherengo, dono de uma personalidade sem igual e digna de reverência. Seguidor da geração dos Beat, Buk deixa seu legado com diversas obras de romances irreverentes como: Hollywood, Cartas na rua, Factotum, Misto quente e Pulp


O modelo velho de cafajeste sincero, que mais 
amou todas as mulheres

Pelo nome já podemos ter uma noção do que o livro se trata. Mulheres. Muitas mulheres! Uma delas era Lydia – e April, Lilly, Dee Dee, Mindy, Hilda, Cassie, Sara, Valerie, não importa o nome que ela tenha, a historia é contada pelo alter ego Henky Chinaski, que retrata assumidamente e fielmente a vida do autor. Com todo o peso da sua idade e de suas experiencias, o velho e beberrão Hank atrai mulheres de varias idades, desde 20 até 40 e elas ficam fascinadas com o jeito desapegado e sincero do velho. Ele, contudo, passa por muita dor de cabeça com suas mulheres, principalmente com Lydia que o inferniza mesmo depois de terem rompido. Pra quem está acostumado com as obras do velho, o cenário permanece o mesmo, bares, apresentações, corrida de cavalos e sua casa. Mas nessa aventura erótica e bem humorada, mantém a mesma temática dia após dia, deixando o leitor angustiado e ansioso para que tudo aquilo termine bem e que ele finalmente fique com alguém e não somente pulando de bucet@ em bucet@.

Chinasky se revela um cafajeste, pois, não tem filtro ao sair por aí se relacionando com todos os rabos de saia que encontra pela frente, porém, antes de tudo, ele não segue a mística, não ilude nenhuma de suas mulheres com juras de amor e promessas utópicas e sempre é bem claro e objetivo sobre os seus desejos e atos. Ele quer transar e então ele consegue transar. Não tem segredo e nem frescura. Mas não pense que sua vida é apenas na cama - apesar de boa parte do tempo ser. Ao passar do tempo, em meio a diversos relacionamentos baratos e promíscuos, Henky vai se aperfeiçoando na arte da boa transa e esse se torna sua arma fatal - o gancho - que deixa todas as suas fodas presas ao seu pinto.



Descobri que eu era escritor após ler esse livro. Mulheres na percepção escassa de muitas pessoas que não o conhecem pode se resumir em: sexo, álcool e cavalos. Mas quem tem a capacidade de ir a fundo nesta obra descobre a essência do personagem tão autentico e defensor nato da verdade. Sem papas na língua e nem qualquer tipo de falso moralismo. Na pele de Chinaky, o grandioso Bukowski expressa a sua real visão sobre os seres humanos dos anos 70 que não se diferenciam dos atuais. Buk retrata pessoas frias, desalmadas, vazias e sem a menor perspectiva de vida, afinal, sua vida gira em torno de drogados, traficantes, prostitutas e vagabundos. Uma história de verdade para leitores de verdade. Muito cuidado porque "Muito cara legal foi parar de baixo da ponte por causa de uma mulher".

Se você está atrás de um bom sexo sem as frescuras implantadas nos best sellers atuais e também, de personagens reais e autênticos, Mulheres é de longe a melhor pedida. Afinal, o velho Buk tem as melhores referências de sua época como Celine, Dostoiévski, Hemingway entre outros velhos cães da literatura. Mas se você se contenta com pouco e com o erotismo teatral e sem conteúdo fatídico de gênero, passe longe!

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