15 agosto 2015

A aventura do Pudim de Natal, de Agatha Christie

"A aventura do Pudim de Natal" (original The Adventure of the Christmas Pudding, tradução de Camila Werner, Pedro Gonzaga e Márcia Knop, editora L&PM, 2014, págs. 272) se tornou a minha pior experiência com Agatha Christie. Quem acompanha o Dose Literária ou até mesmo quem está aqui de passagem e acaba topando de frente com algumas de minhas resenhas sobre as obras de Agatha, sabe o quanto sou leitora feliz e obstinada do trabalho dessa fenomenal escritora inglesa. Com seus contos policiais de enredo rocambolesco, a "Rainha do Crime" já me tirou do mais absoluto tédio e empolgou meus dias - em mais de uma ocasião.

Mas preciso dizer uma coisa antes que me entale: essa coletânea de contos é pior do que leite sem açúcar. Os contos são rasos, entediantes e superficiais. A história que dá nome ao livro é a mais pavorosa: o chatíssimo Hercule Poirot está mais bocejante do que nunca. Os personagens secundários são piores do que o próprio detetive. É a primeira vez, em todos esses anos mergulhada em Agatha, que pensei em não terminar de ler um de seus livros.

O primeiro conto, como já falei, dispensa comentários pelo seu enredo bobo sobre uma pedra preciosa que sumiu. Na sequência, "O mistério da arca espanhola" e "Poirot sempre espera" foram os únicos que conseguiram prender um pouco a minha atenção. Ambos tratam de assassinatos cometidos por gente insuspeita e têm a decência de tentar incrementar os diálogos. "Vinte quatro melros", "O sonho" e "A extravagância de Greenshaw" devem ter sido escritos em dias ruins de Agatha. Quem sabe uma forte dor de dente ou um aborrecimento doméstico tenha entediado completamente a escritora inglesa, a ponto dela escrever mecanicamente ou construir tramas vagas e infantis demais... Quem sabe!

O fato é que não tive uma boa convivência com o livro. Como revelei no começo do texto, pensei em deixá-lo esquecido de lado, deixando-lhe ao sabor da poeira acumulada. Então lembrei quem é Agatha e do que ela representa para mim. Mudei de ideia. Amor se retribui com amor. Li a coletânea até o final, mas não pretendo retomá-la.