26 agosto 2015

Pequenos Deuses, 13º livro da Série Discworld

 Recebi este livro como cortesia da Bertrand Brasil e confesso que nunca tinha lido nada do autor, Terry Pratchett, e a leitura me pegou logo de cara... Pequenos Deuses é o 13º livro da série Discworld, é considerada um clássico de Fantasia e foi publicada em vários países e traduzida para mais de vinte idiomas. Discworld é o mundo fantástico onde as histórias ocorrem, servindo de referência por satirizar jogos de RPG e grandes autores do gênero... 



Somos apresentados a Brutha, ingênuo e de ótima memória, que vai se aventurar mundo afora junto com uma tartaruga que se apresenta como sendo o grande deus Om. A religião é algo fortemente discutida no reino, e os deuses precisam da crença das pessoas neles para adquirirem poder. Quanto mais seguidores, mais poder o deus terá. O problema é que a única pessoa que acredita realmente em Om é Brutha, e a tartaruga depende dele constantemente para não ser morta por engano... 

Apesar de ser o décimo terceiro volume da série, é possível ler e compreender a história sem a necessidade de ter lido previamente os volumes anteriores. Um dos aspectos mais encontrados ao longo do livro é a crítica à religiosidade. Em vários pontos, é possível detectar referências ao Cristianismo, às religiões pagãs, ao hinduísmo. A linguagem do livro é um pouco difícil, existem várias ironias contidas ao longo do texto, mas lendo atentamente é possível percebê-las ao longo da história... 

"Há bilhões de deuses no mundo. Formam um bando mais numeroso do que ovas de arenque. Muitos deles são pequenos demais para serem vistos e nunca são adorados, pelo menos não por algo maior do que bactérias, que nunca fazem suas orações e não são muito exigentes em termos de milagres. São os pequenos deuses - os espíritos dos lugares onde duas trilhas de formigas se cruzam, os deuses dos microclimas abaixo dos gramados. E a maioria deles continua assim."
Na cidade de Omnia, onde vive Brutha, há um Quisidor chamado Vorbis, que em sua ânsia de poder, decide tomar outras cidades alegando existir apenas um deus verdadeiro, Om, e que todo culto a outro deus deve ser destruído, e seus sacerdotes punidos. Om decide se manisfestar como um touro e acaba ressurgindo como uma tartaruga, e é nesse corpo que ele precisa convencer o bobinho Brutha, de que é o grande deus Om. Além do mais, ele está desmemoriado, porque viveu alguns anos no deserto, perdeu um olho e volta e meia precisa tomar cuidado com as águias que adoram tartaruga no almoço...



Existem hierarquias no templo da cidade onde Brutha vive. Seriam padres e coisas do tipo, com nomes específicos, como por exemplo, os Arcepadres, Sous menores e algumas centenas de bispos, diáconos e sacerdotes. Os noviços ocupam um lugar menor que esses indivíduos, e logo abaixo deles se encontram os artesãos, torturadores e virgens vestigiais. Caso alguém cometesse alguma heresia, seria julgado pelo tribunal da Quisição. Por medo de serem punidas, as pessoas se submetiam à todas as ordens da religião praticada no reino. Nota-se a referência clara à Inquisição católica e à forma como a fé é utilizada para manter certas pessoas no poder...

Filosofia, política e afins também são encontradas nas páginas de Pequenos Deuses. Os dogmas de várias religiões, bem como o misticismo e formas de governo são metaforicamente utilizados para compor a trama do livro. Há também a questão do mundo conhecido por eles ser considerado redondo e alguns contestam dizendo que ele é plano e fica acima do casco de uma tartaruga, que plana no vazio... 

Quanto à diagramação do livro, só ouso ressaltar que o livro não se divide em capítulos e em alguns momentos, a leitura se mostrou um pouco cansativa por conta disso... Mas é questão pessoal mesmo, por não gostar muito de livros sem divisão de capítulos... Afora isso, a edição está perfeita...  

Em suma, não é um livro para crianças, acredito eu, pois sua linguagem cheia de metáforas e simbolismos serão melhor compreendidos por um público adulto, já habituado ao gênero de Fantasia. Terry Pratchett faleceu em março deste ano, mas sua obra se eternizou em 39 livros que compõem a série Discworld e certamente, muitas gerações irão se deliciar ainda com seus personagens e aventuras...