13 fevereiro 2016

Joyland, de Stephen King



Mesmo entre aqueles que não possuem o hábito de leitura, o nome Stephen King não costuma passar despercebido. E todos logo assimilam seu nome ao gênero "Terror". "É o cara que escreveu Carrie, o 'autor do filme que Nicholson faz um maníaco com um machado'. 'Aquele gato preto do cemitério indígena', 'A dança da morte', e por aí vai... Entre os leitores, ele pode não ser apreciado por todos, mas até o momento, jamais ouvi alguém falar que sequer tenha ouvido falar de sua fama... 

Pois bem... Joyland não se trata de um livro pavoroso de terror, embora possua elementos do gênero. E - pasmem! - a leitura dele me deixou aos prantos com seu desfecho. E isso é certamente algo incomum, pra não dizer surpreendente...

Juntem um parque de diversões com uma famosa roda-gigante [Carolina Spin], um rapaz que levou um pé na bunda ao ser trocado por outro e uma temporada de férias de verão. Não esquecer outro detalhe: o fantasma de uma garota degolada no trem-fantasma desse parque por um assassino desconhecido. Muitos pensariam tratar-se de mais um livro de fantasmas assombrando o local e seus frequentadores, mas essa linha de raciocínio vai muito além disso...

Devin Jones tem apenas 21 anos e vai trabalhar no parque Joyland, e lá conhece pessoas interessantes. Rapidamente faz amizades e consegue cativar a admiração de seus empregadores, exceto de um funcionário que na realidade não gosta de ninguém... Erin é uma ruiva que não desgruda de Dev, e começa a namorar com outro rapaz que trabalha por lá, Tom... Temos a vidente Fortuna, a senhora Emmalina Shoplaw, que o recebe como inquilino no período em que vai morar próximo ao parque, e uma mãe com seu filho morando numa mansão antiga, nas imediações... A mulher é bastante enigmática e parece não gostar quando Dev passa por Mike e seu cão Milo e cumprimenta o garoto, que vive numa cadeira de rodas...

Narrado em primeira pessoa pelo próprio Devin, ele narra os acontecimentos daquele longínquo ano de 1973, em que acabou tendo uma experiência única e diferente de tudo o que havia vivido até então. E sobre a narrativa, não cansa. Em nenhum momento. Embora o leitor queira 'ação', não vai desgrudar do livro enquanto não conseguir descobrir o que houve com esses personagens... E até que a 'ação' chegue, muito terá sido revelado...

Depois que seu amigo Tom vê Linda Gray e de tanto pavor, não deseja nunca mais pôr s pés no parque, Dev se despede dele e Erin, mas logo a garota aparece deixando o rapaz intrigado com algumas pesquisas feitas sobre a morte da garota, alguns anos antes... Eles descobrem que houveram mais garotas mortas e que o assassino tem alguma ligação com parques de diversão... Adentrando cada vez mais nesse mistério, a solução do caso se mostra aterradora e perigosa...

King ousa e entrega ao leitor personagens completamente envolventes que nos fazem conectar profundamente com a história. Seu emocional é abalado, a tensão é quase palpável a cada virar de páginas e nos faz refletir sobre as pessoas que entram e saem de nossa vida todo o tempo, e no quanto podemos nos enganar - positiva ou negativamente - com elas... Nada é o que parece ser, e Joyland cumpre a proposta - com ares pulp - de deixar o leitor de queixo caído... O desfecho soou poético e inusitado... nunca pensei que iria chorar com o rei do terror...

O livro foi cedido pela Editora Companhia das Letras, parceira aqui do Dose, e pertence ao Selo Suma de Letras... A qualidade gráfica e de diagramação do livro estão impecáveis e pretendo adquirir mais livros da Suma... Não poderia ter estreia mais maravilhosa que essa com seu catálogo... 

Espero que tenham gostado da resenha. E até a próxima postagem ;)