27 abril 2016

Para Poder Viver: A jornada de uma garota norte-coreana para a liberdade

Cia das Letras - 308 páginas - ed. 2015
"A Coréia do Norte é um dos países mais fechados do mundo. Ao final da Segunda Guerra Mundial, Estados Unidos (EUA) e União Soviética (URSS) alimentaram tensões internas entre o Norte e o Sul da então unificada Coréia, levando à eclosão da Guerra da Coréia em 1950. Após três anos de conflito – no qual estiveram envolvidos EUA, pelo lado sul-coreano, e URSS e China, pela Coréia do Norte -, foi acordado um armistício que resultou na divisão do país em duas partes. Mais de um milhão de mortos foram registrados em ambos os países, bem como a enorme destruição da infraestrutura da Coréia do Norte."
(Fonte: Carta Capital)

Confesso que o tema Coréia do Norte sempre me instigou bastante, é difícil para alguém que vive no Ocidente “democrático” (polêmicas sobre a situação política à parte) entender como um ser humano tem seus direitos primários usurpados por um governo tão covardemente. Para entender a história de Yeonmi, temos que nos imaginar vivendo neste que é considerado um dos piores lugares do planeta para se viver. 

Então, imagine-se vivendo em um lugar onde se fraciona comida, luz, água, onde se impõe as pessoas o que devem pensar, no que devem acreditar, o que fazer, onde trabalhar, onde morar e até com quem devem se relacionar; onde não existe comunicação com o mundo exterior, internet só para o alto escalão do governo, televisores com canais feitos pelo governo, com conteúdos do governo; rádio obrigatoriamente ligado 24 horas por dia com propaganda ideológica; imagine-se vivendo em um lugar onde se é executado em praça pública por assistir um filme americano; imagine-se vivendo num lugar do qual não se pode sair, e a única opção viável para a sobrevivência é a fuga desesperada e perigosa pelo deserto, muitas vezes com destino a lugar algum. Imagine-se viver sem nosso mais sagrado direito: o da liberdade. Essa é história da vida de Yeonmi Park, que em detalhes conta sua luta e as coisas que teve que fazer para como diz o título de seu livro, poder viver.


Nascida em 4 de outubro de 1993 na pequena cidade de Hyesan, Park como cita no início, nunca havia pensado em liberdade, nem sequer sabia o seu significado; suas ambições sobre uma vida diferente da que ela e sua família tinham, começaram a florescer depois que seu pai foi preso acusado de contrabando e ela com a irmã mais velha e sua mãe se viram em estado de completa miséria. Park diz em sua biografia ter tido durante sua infância alguns “pequenos gostos de liberdade”, como quando assistiu pela primeira vez a uma fita contrabandeada da vizinha China do filme Titanic. Mas foi a prisão do pai que a ideia passou a ser uma luta de vida ou morte pela sobrevivência.


A fome foi um dos grandes obstáculos na vida de Yeonmi e de sua família. No capítulo As noites mais escuras, ela conta como sobreviveu ao frio e à fome quando sua mãe se via obrigada a deixá-las sozinhas para conseguir dinheiro após a prisão do pai. A Coréia do Norte passou por uma das piores crises da fome na década de 1990, levando milhares de pessoas à subnutrição e à morte. O sonho de Yeonmi nessa época? Poder comer todo o pão que pudesse.


Atualmente Yeonmi atua como ativista dos direitos humanos e vive com sua família nos Estados Unidos. Em seu discurso ao Young World One, organização que luta pelos direitos humanos, ela relata seu sofrimento e pede ajuda para a situação dos refugiados na China que ao serem descobertos são repatriados e mandados de volta para a execução na Coréia do Norte. 

Uma história emocionante do começo ao fim. O relato honesto de uma sobrevivente. Essa é a vida de Yeonmi Park que eu tive a honra de conhecer, inspiração para a vida.

Assista seu discurso legendado aqui:



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