09 abril 2016

Poliana, de Eleanor H. Porter

Eu tinha oito anos de idade quando ouvi pela primeira vez o nome da escritora norte-americana Eleanor H. Porter (1868 - 1920). Lembro de associar o nome da diretora do colégio em que estudava (Leonora) com o da autora, gerando confusão. Na época, minha mãe contou a história de Poliana em uma noite chuvosa. Eu e minha irmã ouvimos atentamente e nos impressionamos com aquela menina: quem poderia ficar contente com tudo? 

Perdi o interesse pelo enredo e segui vivendo. Dezoito anos depois da narrativa de minha mãe, fui presenteada com um exemplar de Poliana (original Pollyanna, tradução de Paulo Silveira, editora Saraiva de bolso, págs.160, 2011), começando a lê-lo no mês seguinte. A singela história é comovente: órfã de mãe e pai, Poliana é encaminhada para morar com a tia materna, a austera e rica Paulina Harrington. Colocando a obrigação acima de qualquer coisa - inclusive da própria vontade -, Paulina recebe a sobrinha com profundo desgosto. Ainda nos preparativos, solicita que a emprega instale a sobrinha no pior quarto da casa, sem qualquer conforto ou aconchego. 

Para a surpresa geral, a doce órfã de 11 anos chega em sua nova casa esbanjando simpatia, felicidade e calor humano. Sempre compartilhando com todos o  jogo do contente, brincadeira ensinada pelo pai antes de falecer, Poliana conquista um por um todos os moradores da cidade. Crianças de rua, velhos avarentos, mulheres ociosas e rabugentas são alguns dos tipos que chamam a atenção de Poliana. Até mesmo a fleumática tia Paulina se rende aos encantos da sobrinha. E apesar da pouca idade - talvez exatamente por isso -, a garotinha age e transforma.

Eleanor H. Porter criou uma personagem otimista, pronta para disseminar fé e esperança em corações racionais e frios demais. É uma obra interessante, entendida como "a capacidade de continuar acreditando". Como Poliana sugere:

" Em tudo há alguma coisa de bom. A questão é descobrir onde está".

Tarefa difícil. 

Em tempos como o nosso, Poliana soa como resistência ingênua, um ataque aos sentimentos pequenos e medíocres. A obra também ajudou a criar a expressão "Sonha, Poliana", dita quando alguém insiste em ver o lado bom de tudo, mesmo em situações devastadoras. 

O romance de Eleanor H. Porter não é profundo - e nem se atreve a ser. Considerado sucesso atemporal da autora, Poliana enlaça pela leveza, graça e simplicidade. A obra foi adaptada paras as telas do cinema mudo e também em versão de 1960.