30 maio 2016

Uma Loja em Paris, de Màxim Huerta

Mês passado fiz poucas leituras, abandonei vários livros porque nada que eu lia, fluía. Então o livro que conseguiu me fazer voltar ao ritmo acabou sendo este e o peguei bem por acaso, sem pretensão alguma só porque gostei do nome. Mas acabou me agradando muito.

Uma Loja em Paris de Màxim Huerta conta a história de Teresa. Uma órfã rica que acabou sendo criada por uma tia extremamente rígida. Sua vida pautada pelo controle extremo da tia não tinha sabor algum e nem cor mesmo tendo conforto e educação. A única novidade que vemos em sua vida monótona é quando conhece o amor nos braços de Laurent, um pintor, mas este acaba desaparecendo sem deixar vestígios.
Um dia ao passear a toa pelas ruas de Madri, Teresa resolve entrar em um antiquário e uma tabuleta de madeira acaba chamando sua atenção. A plaquinha em francês continha o nome de uma tal Alice Humbert e sem saber ao certo porque, a moça compra a tabuleta e aos poucos vai se sentindo cada vez mais impelida a saber mais sobre Alice, principalmente depois que acabou descobrindo o endereço de Paris de onde a placa veio.

A narração do livro é em primeira pessoa pelo ponto de vista de Teresa no presente, mas não é assim o livro todo. Depois de certa parte passamos a ler o ponto de vista de Alice, nos anos 20. Isso acontece de repente e demorei um pouquinho para perceber.
A escrita é leve e tem uma certa melancolia tanto no ponto de vista de Teresa como no de Alice mas dá pra distinguir bem quando é uma ou outra.
Teresa acaba mudando-se para Paris e resolve comprar a antiga loja, resolvendo reabrí-la e começar uma nova vida ao mesmo tempo que tenta saber algo mais da vida da mulher que acabou por atraí-la até ali.
Aos poucos com as narrações intercalando-se vamos descobrindo um pouco sobre Alice e vivenciando a libertação de Teresa.

Não tenho como negar que as narrações de Alice me despertaram muito mais atenção. O fato é que adoro os loucos anos 20 e tudo o que ela contava me levava direto para a Paris desta época *-* 
Temos os artistas e suas modelos, as festas, a boêmia e vários nomes famosos fizeram parte dessa história como: os pintores Moise Kisling, Amadeo Modigliani, a modelo Kiki de Montparnasse e até a famosa Coco Chanel.
Aos poucos fui me envolvendo com a história e gostando mais de Teresa que começou como uma personagem apagada e aos poucos foi se encontrando. E também conhecendo mais Alice que no começo é apenas uma moça pobre que para ganhar algum dinheiro resolve posar nua e a fama acaba por fazê-la mudar muito também.

Sinto que o final do livro poderia ter sido um pouquinho mais elaborado, me deu a impressão que as últimas páginas foram um pouco corridas demais e faltou alguma coisa mas isso não quebrou o encanto que o livro acabou despertando em mim. Acho que a sensação de ir a Paris e voltar sem ter saído do lugar foi o que me deixou mais feliz com essa história ^^
"Paris estava contente; eu dizia então que, quando se fantasia com felicidade, a cidade parecia mais bonita, até que você se sinta mais bonita. Assim me parecia esse momento: perfeito."