25 julho 2016

A Caderneta Vermelha, de Antoine Laurain

A resenha que eu trouxe hoje pra vocês leitores, é a de um livro que recebi da nossa Parceira a Companhia das letras e falei pra vocês aqui.

Aproveitei que ia fazer uma viagem de fim de semana e coloquei o livrinho na bolsa para me entreter  no ônibus durante as quase 5 horas livres que eu tinha pela frente e foi assim que tive uma leitura prazerosa e passei meu tempo.

A história se inicia com a cena do roubo de uma bolsa, temos toda a descrição do susto da vítima e da fuga do ladrão. Tudo é narrado em terceira pessoa pelo ponto de vista da mulher que durante os primeiros capítulos aparece mas logo vira um mistério para o leitor. Então a narração em terceira pessoa passa a ser pelo ponto de vista de Laurent Letellier, um livreiro que durante um passeio encontra a bolsa feminina jogada em cima de uma lata de lixo. Achando a situação esquisita ele pega a bolsa e se dirige a delegacia para deixá-la lá mas ao demorar a ser atendido, resolve voltar no outro dia o que acaba dando tempo para ele abrir a bolsa e começar a olhar o que há dentro...
No começo ele se sente um intruso, mexendo no que não é seu mas ao poucos, ele vai se interessando por tudo naquela bolsa lilás, pois o que contém nela mostra características de uma mulher que ele gostaria muito de conhecer. E é aí que ele encontra a caderneta Moleskine vermelha e ao ler os pensamentos aleatórios daquela desconhecida, ele tem certeza que precisa encontrá-la.
As pistas são poucas na bolsa. Por uma dedicatória em um livro ele descobre o primeiro nome da moça, mas apenas isso. Não há um endereço mas ele encontra um vale de lavanderia e uma anotação na caderneta lhe dá uma leve direção. E a partir daí ele começa a sua busca.
Aos poucos vamos acompanhando os pequenos avanços de Laurent e em segundo plano o autor vai nos contando o passado do livreiro, e vai incluindo alguns personagens como sua ex-esposa e sua impetuosa filha: Chloé.
Se por um lado torcemos para que Laurent encontre a mulher da bolsa, por outro ficamos apreensivos com o rumo que as coisas tomam em certo ponto da história, mas isso acaba deixando aquela expectativa o que nunca deixa a história esfriar.

Gostei da escrita do Antoine Laurain, é sofisticada mas sem floreios e palavras difíceis. Ele mantém a narrativa todo tempo leve e descontraída mas tem uns momentos de leve melancolia na história o que deixa tudo bem equilibrado. Dos personagens que surgiram na história gostei de todos, mesmo dos que quase não apareceram e adorei os protagonistas, então, acho que ele criou personagens interessantes. 
Os únicos pontos que não curti muito no livro foram: a falta de descrição de Paris! Eu estava ávida por grandes descrições dela, e nada, só um comentário aqui e acolá :( e outro ponto que me perdi um pouco, foi nos diálogos, porque o autor não usa nem hífen e nem travessão para pontuá-los então do nada o povo começava a conversar e eu só notava depois de uma três linhas e tinha que voltar na leitura para me situar novamente.

No geral eu adorei o livro, achava que o final ia ser corrido mas foi bem no tempo e gostei das viradas da história, mas não vou contar ;) vocês terão que ler.
Acho que não posso deixar de comentar sobre o livro físico em si: é lindíssimo. A capa é fofa, as folhas amarelas e grossinhas, as letras em um tamanho agradável para a leitura e um ótimo trabalho de revisão porque não encontrei erros nem de digitação, nem ortográficos. Um capricho!

Para o grande final, uns trechinhos que grifei:

A consciência brutal de que o mundo e a vida são completamente absurdos desencadeia esses ataques de riso de tirar o fôlego, ao passo que a mesma ideia, vinte anos mais tarde, só provocará um suspiro resignado. 
Pág. 53
Existem amores efêmeros, programados desde o início para morrer, e prazo bastante curto - em geral, só se toma consciência disso no momento em que acontece.
Pág. 63