22 agosto 2016

Quadrinhos dos Anos 10, de André Dahmer



Nessa caixinha de correio aqui, eu falei pra vocês da empolgação que eu fiquei ao ter a chance de ler um livro de tirinhas do André Dahmer, quadrinista que conheci através do seu site do malvados
Através da parceria com a Companhia das Letras e o Dose, eu pude usufruir de algumas horas com um livro recheadinho (317 páginas) de tirinhas de um humor nada convencional, mas totalmente cabível para os dias atuais.



De início vou me ater ao aspecto físico do livro. Qualidade define todo material feito pelo Grupo Companhia das Letras e claro que não poderia deixar de ser o mesmo no selo Quadrinhos na Cia. O livro é de um formato fora do padrão, a capa não é dura mas é de uma gramatura bem resistente, papel 80 kg acredito, as folhas na parte interna também são bem grossinhas e amareladas. O livro é colado e costurado, o que dá aquela segurança de que não vai soltar facilmente se for usado demais ou aberto bruscamente. 
A minha maior surpresa, foram as tirinhas coloridas. Acostumada com o trabalho do Dahmer no seu site, eu esperava tirinhas em preto em branco então foi algo novo pra mim ver que as tirinhas deste volume, são em maior parte coloridas.

Basicamente não existe nada pra reclamar quanto ao livro em si mas vamos ao conteúdo, não é?



Normalmente lemos tirinhas com o intuito apenas da diversão...mas existe sempre uma leve crítica em muitas delas. Mafalda é uma prova viva. Quino seu criador fazia crítica social livremente na voz de uma garotinha com ideias muito evoluídas para idade. Até em Calvin e Haroldo, Snoopy e Hagar, lemos uma criticazinha aqui, uma pontadinha acolá nos nossos hábitos humanos e vícios. Tudo isso de leve...
Mas o que o Dahmer fez aqui? Ele cortou a leveza fora.
O autor deixou de lado toda a polidez e jogou a porcaria no ventilador rs. Suas tirinhas são críticas escrachadas. Aqui tudo é exposto. Mas nada é mentira, talvez só um pouco exagerado pra dar aquela ênfase. E a crítica maior que pude notar nos quadrinhos, foi contra a modernidade, a tecnologia e o como isso nos ajudou até certo ponto mas nos isolou por outro.
Acho que o ponto principal que o autor quis mostrar, é o como nos anos 10, todos estamos nos tornando individualistas e egoístas ao extremo. Dependentes da tecnologia como forma de afeto e cada vez mais viciados em consumo: a TV maior, as roupas mais caras, as festas mais badaladas e a vida mais vazia. Ele critica também o boom das redes sociais onde todo mundo tem opinião sobre tudo mas não faz nada e como parece que só há vida se tudo for amplamente divulgado. As tiras são muito engraçadas, é um humor negro e as vezes a gente até se constrange por pensar que em muitas delas podemos ter agido parecido ao personagem e isso é chocante mas ao mesmo tempo faz pensar.

Algumas que selecionei:
Essa eu achei a cara do País atualmente...

Será que estamos nos tornando descartáveis?

E as "famas" de internet...

O Mundo das aparências

Os novos amores?

Os padrões de beleza cada vez mais inalcançáveis

Mil amigos no facebook e a solidão cada vez maior?
O livro no fim das contas, é um ótima sacada. Diverte sim mas não só isso. Faz refletir.