14 setembro 2016

Gigantes Adormecidos, de Sylvain Neuvel

Gigantes Adormecidos me chamou a atenção primeiramente por causa da capa, mas a sinopse me intrigou um pouco também. Como não tenho o costume de ler ficção científica, sempre fico um pouco receosa porque as poucas experiências que tive com o gênero, não foram ruins, no entanto eu senti pouca empatia com os protagonistas dos livros porque normalmente os acho um pouco frios, não sei se pelo caráter das descrições mais sucintas mas a questão é que eu sempre senti isso ao ler livros desse tipo. Mas não senti isso lendo esse livro em questão.

A primeira coisa que me chamou a atenção, foi a maneira que a história foi apresentada. Cada capítulo, ao invés de ser um capítulo, é um arquivo. Uma entrevista, uma entrada em um diário ou uma notícia em um jornal. Já li livros em forma de cartas, livros apenas com diálogos mas em forma de entrevistas eu não lembro de ter lido ainda, então achei interessante. Acho que essa é a razão dessa série ser chamada Os Arquivos de Têmis, achei bacana porque dá aquela impressão de algo de caráter sigiloso, secreto e outro ponto que logo desperta a curiosidade, é o fato de os arquivos não serem exatamente em uma sequência e durante o decorrer da história há muitos pulos o que nos faz pensar que nos próximos livros esses arquivos "perdidos" vão aparecer e revelar muitas surpresas.

No epílogo da história, Rose Franklin narra um acontecimento de sua infância quando aos 11 anos ao andar de bicicleta, é atraída por uma estranha luz turquesa e cai em uma cratera enorme, ao ser resgatada, Rose ao ver as fotos tiradas pelos bombeiros descobre que ficou horas sentada em uma enorme mão metálica. Anos mais tarde essa mesma personagem, agora uma PhD em Física foi chamada a participar de um projeto para juntar os pedaços do que parece ser um robô gigante, pois uma subtenente e seu subordinado encontraram um antebraço enquanto estavam em uma missão.
Imagem linda que há no livro
O entrevistador do livro é um homem que ninguém (mesmo os entrevistados) sabem o nome, esse homem é quem aparentemente controla toda a operação mas em nenhum momento sua identidade é revelada, então uma equipe é montada para que seja feita a busca pelas partes desse robô gigante e de acordo com as pesquisas da Dra. Franklin, tudo indica que o mesmo seja muito antigo e não foi criado na terra.
No entanto essas partes do robô, por estarem espalhadas pelo mundo são um grande problema porque para terem acesso a essas peças, as pessoas da equipe precisam invadir territórios de outros países e é por aí que os conflitos da história começam a aparecer.
Muitos questionamentos são levantados, tantos pelos personagens como o próprio leitor que se põe a pensar também, principalmente quando certos "acidentes" começam a acontecer para manter a operação funcionando. 

Eu gostei muito da maneira como os personagens são explorados, porque se eu sentia falta de certa carga emocional em personagens de livros de sci-fi, com certeza Neuvel me deu isso. Os personagens são humanos demais, com todos seus questionamentos, dúvidas e sentimentos contraditórios. Eu particularmente gostei muito da subtenente Kara Resnik, porque ela é um osso duro de roer rs e por mais que ela seja bem doida, adorei o humor ácido dela. Mas temos outros personagens bem interessantes também, que surpreendem muito no decorrer da trama.

O final do livro é a cereja do bolo. O gancho que o autor deixou pra iniciar a história do segundo livro, foi totalmente inesperado, agora eu quero é ver como ele vai conduzir isso tudo que ele criou. O segundo livro de acordo com o site do próprio autor vai se chamar Waking Gods e espero que saia logo por aqui ;)

Até mais!

Esse livro é um lançamento de Jun/2016 e foi uma cortesia da nossa Parceria com a Companhia das Letras.