23 outubro 2016

Dose Dupla: Bienal do Livro de São Paulo 2016

DOSE DUPLA: DUAS EXPERIÊNCIAS NA BIENAL DO LIVRO

Olá leitores! Tudo bem?
A Bienal do Livro de São Paulo aconteceu no entre os dias 26 de agosto e 4 de setembro deste ano, porém por questões "logísticas" não pudemos ir no mesmo dia e horário, além da distância para as outras membras do Dose, então o Dose Dupla de hoje (e um pouquinho atrasado) será sobre as impressões de Fabio Michelete e Patricia Oliveira (eu) sobre a 24ª Bienal. 

Lançamento de Livro na Bienal - por Patricia Oliveira

Como eu relatei no aquecimento e em outras publicações que falamos das outras edições da Bienal, decidi que não iria no final de semana que é muito lotado, então aproveitei o lançamento do livro dos meus professores para ir na sexta-feira à noite dia 26 de agosto e aproveitar para prestigia-los. 
Não poderia ter feito uma escolha melhor: bilheteria vazia, corredores livres, estandes organizados, lugares para sentar e etc. Fiquei quase 2 horas na Bienal e confesso que só circulei pelos estandes das editoras mais conhecidas, por falta de tempo também, mas deu para ver que tinha coisas bacanas acontecendo simultaneamente. 

1ª parada: Estande da Editora Futurama - Lançamento do livro Gêneros Literários e a Formação do Leitor

Professora Isabel Andrade, eu e professor José Alaercio no estande da editora Futurama

Os professores José Alaercio Zamuner e Isabel Andrade Moliterno lançaram o livro Gêneros Literários e a Formação do Leitor  voltado ao público docente e aborda numa linguagem simples e didática, aproximar autores e leitores por meio de seus estudos sobre os gêneros literários. 
A compreensão dos gêneros literários, suas características em diferentes produções — poesia, narrativa e teatro —, pode orientar o leitor em face de um texto. Conhecendo as características de cada gênero, o leitor poderá também perceber as vozes particulares de cada autor, pois uma obra é uma comunicação íntima com um possível leitor. Para alcançar esse resultado, Isabel e Alaercio visitam várias produções, apontam conexões entre estilos, épocas, tendências e fazem ligações entre a literatura e suas áreas correlatas: música, cinema, pintura.

Fiquei muito feliz de prestigiar a professora Isabel que foi minha professora de Literatura Contemporânea no terceiro período da faculdade e recomendo fortemente seu livro em parceria com o professor Alaercio.

2ª parada: Estande da Companhia das Letras




Não podia deixar de visitar o estande da nossa editora parceira Companhia das Letras que este  ano estava com seus lançamentos estampados nas paredes. Pude folhear alguns livros dos selos da editora para já colocar na minha listinha de desejados. :)

3ª parada: Estande Editora Rocco



Um dos estandes que chamavam atenção foi da editora Rocco. Estavam lançando e homenageando novas edições das obras de Clarice Lispector e Harry Porter.


4ª parada: BiblioSesc - Praça da Palavra



Acompanhei um pouco do sarau de MC's no Cordeliricus - Reunião de cantadores tradicionais com MC’s que misturam rap com embolada, para um duelo em que as armas são a viola, o pandeiro, o beat e a palavra.

Outras paradas e comprinhas?

Este ano comprei apenas 2 livros: Gêneros Literários e a Formação do Leitor e Meu Nome é Amanda da youtuber Amanda Guimarães (por pura curiosidade). A Bienal nunca foi um lugar para comprar pilhas de livros porque o preço da maioria das editoras é tabelado. Um descontinho aqui e outro ali, mas nada que você não consiga em outros lugares ou até mesmo pela internet durante o ano. O passeio vale pela oportunidade de conhecer escritores, assistir às palestras ou fazer alguma atividade diferente no evento. 




Até a próxima!





Bienal do Livro 2016 - por Fabio Michelete


Divertido quadro no meio da Bienal
Peço desculpas pelo tom um tanto pessimista do texto abaixo. Espero que minha amiga de DOSE DUPLA ofereça algo mais otimista para nossos leitores! 

Aproveitei uma tarde livre em SP (só trabalho na grande metrópole ocasionalmente) para fazer minha visita à Bienal do Livro 2016. Minha atividade profissional é muito variável em intensidade: por vezes não dá tempo pra dormir, por outras permite uma tarde sem compromissos.

Lá estou eu, então, feliz por encontrar a fila vazia. Pela quantidade de “gaiolas” para organizar a multidão, foram certíssimos os avisos da Patrícia daqui do Dose Literária - “Não vá no final de semana!!”

Já dentro do evento, grande, com stands bem montados das principais editoras e livrarias, vários pensamentos me acometem. Em primeiro lugar, sou quase o único ali de camisa social. Ao me interessar por um display, não raro escutava: “Professor, vem ver este aqui...” Sim, sou professor de MBAs, e me orgulho da atividade, mas entendi a confusão. Todo o meu entorno era formado por adolescentes em uniformes escolares. Excursões de diferentes escolas, visitando uma feira cultural.

E que tipo de cultura interessa a garotada? Esqueça os livros. Uma parte grande estava lá para o único interesse genuíno de um adolescente. Excursão é pra namorar e paquerar! Hordas de pele brilhante, cheiro de “cc” e o máximo de sensualidade que se pode tirar de uma calça azul e uma camiseta branca. Tem algo de errado com isso? Claro que não.
Encontrei outros frequentadores típicos pelos corredores, gente jogada nos cantos e a leitora profissional. A frase de Victor Lebow, dos anos 50, já projetava o que vivemos hoje:


“Nossa economia enormemente produtiva exige que façamos do consumo o nosso modo de vida, que transformemos a compra e uso de bens em rituais, que busquemos a nossa satisfação espiritual e do nosso ego no consumo. Nós precisamos que as coisas sejam consumidas, gastas, substituídas e descartadas em um ritmo cada vez mais acelerado.”
Victor Lebow

Não basta gostar de ler. Tem que ser uma identidade, que envolve conhecer os autores descolados, arrumar prateleiras, cultuar, limpar e cheirar livros. Perfeitas leitoras-clichê, de óculos pequeno e feições intelectuais, carregavam malas de rodinhas, cumprindo a MISSÃO de encontrar vários livros para suprirem suas prateleiras e alimentarem seus blogs pelos próximos meses.
Além dos lançamentos que custam a mesma coisa da livraria da esquina, é a chance das editoras de desovarem seus estoques encalhados, em grandes pilhas desarrumadas de pechinchas... por 5 a 10 reais cada. Liquidação baciada. Nessas pilhas, um retrato de todo o oportunismo do parco mercado brasileiro. Livros de celebridades da tv e do rádio, e versões requentadas de informações sobre história, culinária, geografia, biologia, que hoje se encontram na internet.

painel de um dos stands

Nos stands maiores, vendedores cansados pelo dia todo em pé tentam empurrar os livros de youtubers, fenômeno que substituiu os ainda presentes livros de colorir, como tábua de salvação para o mercado.
Sai de mãos vazias. Não vi sentido em trazer mais livros pra casa, com uma lista de 39 esperando. Também me senti muito tiozão, mas esse é outro assunto ;-)


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