11 outubro 2016

Fabián e o caos [Pedro Juan Gutiérrez]

Olá, pessoal... Trago minhas impressões sobre mais uma obra de meu escritor cubano preferido Pedro Juan Gutiérrez. Seu novo livro, intitulado Fabián e o Caos, me foi cedido em parceria com a Editora Companhia das Letras pelo Selo Alfaguara. Tão logo iniciei a leitura, adentrei numa Cuba quente e conturbada da década de 1960... 

Dividido em cinco capítulos [que apesar de um pouco longos não soam cansativos], vamos conhecendo a vida de dois jovens de personalidades opostas, a partir de suas origens, e que vão ter seus destinos selados numa Cuba turbulenta em termos de política. Pedro Juan é sedutor, e depois que descobriu o sexo, nada há de mais prazeroso em sua vida. Já o personagem que dá nome ao livro é tímido, frágil e homossexual. Desde cedo e graças a mãe toca piano. Carrega os estereótipos de rapaz afeminado, com um pai avarento e distante e uma mãe temerosa e cheia de cuidados, mas que com o passar dos anos e em sua velhice, torna-se uma espécie de fardo para o filho...

O regime político atual do país não aceita homossexuais. Não aceita libertinos vagabundos que não querem trabalhar. E ambos, Fabián e Pedro Juan, se tornam semelhantes. São dois cidadãos que possuem condutas afrontosas a sociedade revolucionária. Não se engane achando que o livro trata de um relacionamento entre os dois protagonistas. Trata-se de amizade, apesar das dificuldades e tropeços que ao longo dos anos eles sofreram. E nesse cenário, Gutiérrez faz críticas à sociedade, a religião e a política...

Típico da escrita de Gutiérrez, o sexo exposto ao longo da trama é sujo, depravado. Mas retrata uma angústia latente nos personagens, conformados com seus destinos e falta de perspectivas. É pouco provável não se solidarizar com as situações decadentes em que se encontram tais indivíduos. 

Em contrapartida, Fabián e o caos beira o poético. Muitas vezes comparado a Charles Bukowski ou Henry Miller, Pedro Juan Gutiérrez possui em sua narrativa visceral um quê de beleza poética. Traços sutis que se emolduram em tramas densas e cruas, uma espécie de tom direto em meio à melancolia... 

Fabián e o caos me deixou contemplativa. Me chocou, me enterneceu. Um misto de sensações distintas que, poucos como Pedrito, me fazem sentir...