17 fevereiro 2017

O Perfume da folha de chá, de Dinah Jefferies

Esse livro foi um lançamento de Jan/2017 pelo selo Paralela da Companhia da Letras.

Escolhi esse livro por se tratar de um drama, por se passar nos anos 20 e por ter esse ar exótico já que a história se passa no Ceilão local que até então eu não sabia de nada.

A história inicia-se com um prólogo bem misterioso e que me fez pensar que relação ele teria com o restante da narrativa, então, já me senti intrigada.

O primeiro capítulo já se inicia nos anos 20 quando Gwendolyn chega no Ceilão. Ela é inglesa e recém casada com um grande produtor de chá Laurence Hopper. A protagonista tem apenas 19 anos nessa época e a mudança cultural brusca é o que permeia os primeiros capítulos quando a jovem Gwen procura se adaptar a nova vida na linda fazenda Hopper mas ao mesmo tempo encontra vários entraves para se relacionar com os criados e ganhar alguma voz e respeito como patroa.

Logo ao desembarcar ela conhece Savi Ravansigh, um pintor de origem cingalesa que se mostra alguém muito gentil mas por motivos que Gwen não entende, parece deixar seu esposo irritado. A partir daí ela passa a notar que muitos segredos irão permear seu casamento pois seu esposo por mais carinhoso que seja, é também um pouco distante e fechado. Sem contar que Gwen se sente constantemente ameaçada pela presença de Christina, uma viúva muito rica e que ela acha que é íntima demais de seu esposo.

O conflito do livro inicia-se quando Gwen ao dar a luz, tem que tomar uma decisão que a colocará num conflito moral muito grande. E a partir desse momento, ela é quem passa a ter um segredo que a fará sofrer muito.
Uma das coisas que me chamou muito a atenção foi o momento histórico. O livro cita alguns acontecimentos importantes como a quebra da bolsa em 1929 e mostra o como isso afetou mesmo os que não viviam no EUA. Temos alguns comentários sobre Hitler o que nos faz pensar no que viria depois e há algumas crises no próprio Ceilão que são citadas no decorrer da narrativa.

O drama do livro é forte e se o leitor se pôr no momento em que a história se passa, faz muito sentido. Os costumes eram outros e algumas situações não eram toleradas bem na época (muitas por desconhecimento).
O livro tem uma narração mais lenta mas não chega a ser cansativa. As descrições são muito bonitas e nos transportam para as paisagens narradas, só achei que o livro poderia ter sido mais curto porque em alguns momentos parecia que a história estava levando tempo demais para ter seu ápice.

Há outros personagens marcantes que são: Frances a prima de Gwen que parece ser bem mais moderna que nossa protagonista, Verity irmã de Laurence que também é alguém que irá causar muitos conflitos no decorrer da história e Naveena um criada idosa e que de inicio não parece que irá acrescentar muito, mas que acaba sendo um peça importante na história.

A autora conseguiu dar um final bem digno e apesar de no decorrer do livro eu ter desvendado alguns dos mistérios antes do tempo, o final deu bem certo.

até mais :*