15 abril 2017

Cujo, de Stephen King

Recebi pelo selo Suma de Letras o livro Cujo, do aclamado e já tão falado aqui no Dose Stephen King. Esse título estreia uma nova coleção da editora Companhia das Letras, a Biblioteca Stephen King... Situada no Maine, uma fera espreita a fim de atacar suas vítimas. Cujo é um são Bernardo que foi mordido por um morcego raivoso, e acaba infectado... Sem ninguém descobrir o que houve com o pobre animal, o desenvolvimento de sua doença acaba fazendo algumas vítimas...

Tad Trenton é um menino de apenas 4 anos. Ele anda assustado com uma figura sombria que anda aterrorizando o closet de seu quarto... Seria o espírito de Frank Dodd, serial killer que aterrorizou a cidade tempos atrás e que virou uma espécie de lenda urbana na cidade?

Um dos pontos interessantes na narrativa e que a tornam frenética é a maneira como King conduz a trama, pela perspectiva de inúmeros personagens, que a principio parecem não ter ligação alguma entre si, mas são inseri dos numa teia de fatores que colidem  num desfecho impressionante, cruel e triste... Além do horror em si, pelo fato do cão atacar suas vítimas, ainda nos deparamos com o horror dos relacionamentos sociais que se despedaçam ou culminam para o fim, além de 'passear' pela mente confusa de um dócil cachorro que presenciamos desabrochar numa fera terrível e sem limites...

Outro ponto importante a frisar é a caracterização dos personagens, não apenas o núcleo principal [a família do menino], como também a família dona de Cujo, a vizinhança, demais moradores da cidade que acabam tendo um papel crucial para o enredo se desenvolver... A própria cidade pode ser considerada um personagem, com suas descrições de cenário, acontecimentos passados que ainda evocam na memória dos moradores atuais e o clima soturno de 'lugar esquecido por Deus'...


A edição está impecavelmente bonita, com detalhe em baixo-relevo na capa, uma entrevista feita por Christopher Lehmann-Haupt e Nathaniel Rich para a The Paris Review em 2006, que nos faz conhecer um pouco do escritor e seu processo de escrita/criação de histórias... Existe uma adaptação em filme, datada de 1983... O final do filme é diferente do livro, sendo assim uma surpresa para aqueles que conheciam a história por causa da película...

Em suma, Cujo foi uma das obras mais densas e alucinantes que já li do autor, e certamente vai entreter bem aqueles que se aventurarem a folhear as suas páginas...