Os piores dias de minha vida foram todos, Evandro Affonso Ferreira


     
    
     Eu estava passando por uma livraria e de repente eu vi o título desse livro e já pensei: “deve ser praticamente minha biografia não autorizada” e foi a segunda vez que eu comprei um livro não pela capa, mas pelo título; apesar de a capa ser muito bonita também. Cheguei em casa com o livro na mão e quando comecei a lê-lo eu me deparei com uma erudição muito grande, isto é, parecia mais um tratado filosófico do que literatura; mas no primeiro momento eu pensei: “tudo bem”.
     O livro todo é uma comparação entre a vida do narrador que está caminhando pela rua e analisa a vida dos outros e a própria a partir do mito grego de Antígona. O problema já começou aí porque eu não sabia sobre a história de Antígona e tive que pesquisar um resumo para saber do que se tratava e, então, começar a ler o livro... como eu não li integralmente a peça de “Antígona”, provavelmente eu não consegui ter uma visão mais completa sobre o livro, no entanto, o livro é extremamente presunçoso. Não consegui perceber nada de bom nele dentro de uma visão literária, pois todas as frases contêm palavras muito difíceis e desnecessárias e começa uma erudição tão soberba que eu, a todo momento, me pegava pensando o porquê o autor quis escrever daquela forma... Na realidade, o livro não tem uma história, me parece muito mais uma masturbação filosófica por parte do autor do que literatura; tudo nesse livro é extremamente pedante.
     Mas enfim, vou falar um pouco do que eu li nos resumos sobre o mito de Antígona que faz parte da trilogia tebana e seria meio que uma “continuação” (mas não é continuação) do mito de Édipo Rei. É assim: Antígona acaba perdendo os dois irmãos por uma briga que eles tiveram pela disputa do trono (os dois se matam), dessa forma, Creonte – o rei da porr@ toda – decide sepultar um dos irmãos e abandonar o outro no mesmo lugar da batalha para que ele apodreça e seja comido pelos animais e vermes. Ocorre que Antígona se indigna por essa vontade expressa por Creonte e decide dar uma sepultura digna a seu irmão e aí começa todo o debate do livro. Antígona enfrenta Creonte dizendo que as leis “mundanas” criadas por ele não podem se sobressair sobre as leis dos deuses, às quais garantiam dignidade a seu irmão mesmo após a sua morte. Esse mito dá vários debates no curso de Direito sobre a diferença entre direito natural e direito positivado etc... e pensei que o livro abordaria algo assim... mas NÃO... O livro faz questão de mencionar o sofrimento de Antígona ao tentar dar uma morte digna ao irmão e blá blá blá! (Pessoas, eu resumi demais o mito, ficou tipo um resumo do resumo do resumo, mas só pra ter uma ideia do pano de fundo).
     Na boa gente, não tinha o porquê esse livro ser escrito... não quero desmerecer o autor porque ele deve ter tido motivos pessoais suficientes para escrever, mas eu achei tão pedante e sem graça e com pouco aproveitamento literário ou de entretenimento que eu acabei repudiando toda a “história que não tem” do livro. Mas eu gostei do título e algumas partes que foram bem pensadas pelo escritor, mas só... eu não vejo nada de proveitoso na leitura de “Os piores dias da minha vida foram todos”. Então fica aí uma dica minha do que não ler! Hehehehhe
     Só mais uma coisa: ainda continua sendo um dos melhores títulos de livros que já vi, só não gostei do conteúdo.