Sarau e SLAM: dos centros urbanos às periferias

Em homenagem ao Dia Nacional da Poesia, vamos falar um pouco sobre poesia nos saraus e nos slams.

Confesso que só vim ter contato com saraus e slams em 2016 e me perguntei: por que demorei tanto para descobrir essas maravilhas? Bora correr atrás do tempo perdido?

Saraus

De acordo com o dicionário, sarau é uma reunião, normalmente noturna, com o objetivo de compartilhar experiências culturais e o convívio social. E o sarau literário  é um dos tipos de saraus mais populares, promovidos por pessoas que apreciam a literatura e a poesia. 

Sempre pensei em sarau em algo distante, algo mais para os artistas, atores. Sinceramente eu desconhecia a efervescência dos saraus e slams que aconteciam na minha cidade. Felizmente, com a internet esses eventos estão sendo mais divulgados e além disso, existem pessoas super empenhadas em fazer diferente na cena cultural do país: escritores, atores, estudantes de escolas públicas, professores e produtores culturais. 

Em São Paulo, todos os dias acontece um sarau ou slam pela cidade, cada um com suas características, mas em geral aberto ao grande público e a maioria totalmente gratuito. 

O mais empolgante disto, é que surgem cada vez mais saraus nas periferias da grande cidade, particularmente posso citar 3 que tive contato e nutro grande admiração: Sarau da Cooperifa conduzido pelo escritor Sérgio VazSarau dos Mesqueteiros mediado pelo professor e escritor Rodrigo Ciríaco e o Sarau das Pretas (que já comentei aqui!).

Cooperifa:
Imagem de https://www.facebook.com/Cooperifaoficial/

O sarau da Cooperifa acontece sempre às terças-feiras, no Bar do Zé Batidão, na periferia da zona sul de São Paulo desde 2001 ou seja, em breve completará 17 anos de resistência. Além do sarau, há outras atividades culturais por lá como cinema, mostras, shows, literatura e etc.
Ainda não tive oportunidade de ir, mas tive o prazer de conhecer Sérgio Vaz de pertinho quando ele visitou a faculdade. (Falei aqui sobre os livros que li, entre eles O Colecionador de Pedras do Vaz)

Sarau dos Mesquiteiros


imagem de https://www.facebook.com/saraudosmesquiteiros/

Ali no extremo da zona leste na Ocupação Cultural Ermelino Matarazzo acontece o Sarau dos Mesqueteiros coordenado pelo professor de história Rodrigo Ciríaco desde 2009.


Mesquiteiros porque os participantes são estudantes da Escola Estadual Jornalista Francisco Mesquita. O professor Rodrigo reúne jovens alunos e quem mais quiser recitar ou participar dos eventos culturais e literários da Ocupação. Trabalho maravilhoso e dedicação de toda essa galera!

Slams
(Poetry Slam)

Eu não fazia ideia, mas existe uma lista de enorme de slams na cena cultural paulista. Agora, procure saber aí sobre os slams da sua cidade e corra agora pra prestigiar (rs). Sim, slam é uma batalha de poesia. Completa influência do rap e hip hop, os participantes fazem jogos de rimas e disputam entre si. Uma disputa saudável e criativa para saber quem manda bem nas rimas. E olha, tem tanta gente boa! Mas engana-se que os slams vivem só de apresentações de batalhas de rimas, muitos são engajados politicamente e culturalmente, fortalecendo movimentos em pró da arte e cultura periférica, também são resistência dentro da própria arte urbana.

Os slams mais conhecidos em São Paulo são: Slam da Resistência, Slam da Guilhermina, Dominação, Slam da Ponta,  Slam das Minas (em diversos estados). Tem mais nesta lista AQUI!





Guerreiras na Batalha - as slammers

Eu tive oportunidade de prestigiar as rimas dessas meninas, e minha nossa! Arrepiei, chorei, ri, torci, concordei... enfim, um furacão de emoções mas acima de tudo, muita admiração pela palavra delas!


Kimani (Cynthia Santos)





Mariana Félix e um de seus livros lançados: Vício


Desabafo

Não! Hoje eu não quero perdoar ninguém!

Não quero ser boa moça
Sorrir porque é mais fácil a mentira
Hoje eu não tô pra ser amiga
Não quero blá blá blá de "mas você é tão bonita"


Hoje não quero seu respeito
Hoje não tô pra beijo
Nem quero ouvir nenhum conselho

Hoje tô mal, tô chateada
Ando cansaça de pirraças
De desdém, de pessoas ingratas

Hoje quero gritar
Mas bem alto, pro mundo ouvir:
"Sai daqui!! Me erra, sai de mim"

Não quero saber de panelaço
Nem conta d'agua
Se eu ver uma panela, juro que ataco ela na sua cara!

Não quero bancar a intelectual
Nem me venha com seu jornal
Queria rasgar todos os livros, jogá-los em um vendaval

Hoje eu quero dizer pra você tudo que penso
Que você não passa de um fingido sem talento
Eu, tive a descência de ao menos fingir que te aguento

Hoje eu vou beber de tudo
Quero que se acabe o mundo
Em bar...que é pra eu morrer com luxo

Hoje minha manifestação não é pacífica
Ahhh essa polícia
Às vezes me lembra até você, de tão traíra

Hoje não quero ir ao trabalho
Matar o tempo com algo tão pacato, careta e chato
Ouvir de novo reclamações por estar sempre com o relógio no horário errado

Hoje quero rasgar as roupas
Jogá-las todas em você
Pra ver se assim me livro dessa gastura, que foi te pertencer

E não me venha com essa de "fazer as pazes"
Você é assim: sempre covarde!
Só me deixa sua metade

Vou apagar seu telefone
Queimar os papéis onde já escrevi seu nome
Te tratar como qualquer outro homem

Dessa vez não tem emendas
E não se surpreenda
Hoje foi a última vez que te engoli...
Seca!

Mariana Felix


Mais slammers?
Clica 👉 aqui! (Manos e Minas)

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