Um pedaço de madeira e aço, Chabouté


    

     Há pouco tempo que eu entrei para o universo dos quadrinhos porque antes eu tinha muito preconceito por achar que os quadrinhos não tinham uma história tão bem desenvolvida para contarem, porém eu estava completamente errado. Meu primeiro quadrinho, esquecendo os da Turma da Mônica, eu acabei lendo esse ano de 2018 que foi “Maus”, um quadrinho incrível que eu fiquei perplexo com tamanha complexidade na história e nos desenhos (E esse foi um dos motivos por eu demorar tanto para fazer outra resenha para o Blog porque alguns quadrinhos que eu li já tinham resenhas postadas). A partir de então, eu comecei a pesquisar mais sobre esse universo colorido, que às vezes nem é colorido, porque eu percebi que muitos quadrinistas tinham algo de relevante para contar; e eu encontrei esse MA.RA.VI.LHO.SO quadrinho “Um pedaço de madeira e aço”. Eu juro. Eu acabei lendo esse quadrinho de uma única vez porque eu não conseguia parar de ver e observar as imagens e analisar as diversas interpretações que eu tive... isso mesmo: diversas interpretações, pois em cada página eu conseguia ter mais de uma interpretação mais que cabível e compatível com os desenhos.
      Apesar de o livro inteiro ser desenhado em preto e branco e não existir qualquer diálogo, a história me impactou de uma certa forma com as expressões e conexões que o autor conseguia fazer com suas personagens, que eu precisei ler uma segunda vez de tão bonita que foi a experiência que eu tive. A história toda se passa em volta de um banco numa praça em que está ali despretensioso, mas que faz parte da vida, ou de alguns instantes da vida das pessoas que cruzam seu caminho. Algumas pessoas passam por ali seja para gravarem com um canivete seu amor numa madeira do banco, para sentar e descansar, ler um livro, descansar e comer algum doce com uma pessoa que ama, esperar um encontro, dormir, guardar tristezas etc etc. (Ah! Até um cachorro faz parte da história do banco que sempre passa para mijar nele independente se for primavera ou inverno.
      O que eu achei incrível foi que ele conseguiu contar uma história do banco relacionada com a subjetividade de muitas pessoas que dividem aquele banco com propósitos e tempos diferentes, mas o espaço permanece o mesmo. E digo mais, uma história com tanta subjetividade SEM diálogos, apenas com cenas de um cotidiano ordinário, mas com muita sensibilidade. São umas 300 páginas, mas que passam numa simplicidade tão comovente que não tem como não recomendar a compra ou a leitura desse quadrinho. Para mim, por nunca ter tido um contato muito grande com quadrinhos, foi a melhor experiência até agora com imagens em livros que eu tive e que fez eu pensar em algumas coisas na minha vida. Enfim, o livro não diz nada, mas as imagens transmitem histórias sobre o tempo, o espaço, vidas, amor, amizade... e reflete conosco sobre a importância que tem as coisas mais banais, e que elas carregam consigo uma história que não pode ser desprezada, pois, por menor que seja, ela ainda faz parte de um contexto maior e que sem o ínfimo não se pode contar nada.
     Eu vou parar por aqui porque não tem como eu sintetizar mais do que isso sem estragar a experiência de quem for ler, porém eu daria um conselho quando forem ler: prestem muita atenção nas ligações temáticas e de personagens que o quadrinho faz desde quando ele começa, até quando ele retorna aos mesmos temas ou personagens que há muito não apareciam. É fantástica a história!